Paywall: Quanto custa uma notícia?

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Semana passada eu tive uma amarga surpresa quando entrei no O Globo Online. Após a leitura de duas ou três notícias, a navegação foi interrompida com um Paywall, uma parede (literalmente) que pede um cadastro pago para que você continue a navegar pelo site. Ou seja, quer ler o site do O Globo na internet? Agora você só tem direito a 30 matérias gratuitas por mês. Mais do que isso, só pagando.

Fiquei um pouco chateada porque acabei parando de ler a Folha de S. Paulo pelo mesmo motivo. No jornal paulistano, o limite é ainda menor: apenas 20 matérias por mês. O paywall chega no Brasil no momento em que o método começa a se consolidar nos Estados Unidos. Quase um terço dos jornais possui algum tipo de assinatura. Apesar de ser uma tendência internacional, as coisas por aqui tendem a ser um pouco diferentes.

No Brasil, as pessoas ainda não estão acostumadas a pagar por um serviço online, quando na Internet tudo é facilmente encontrado de graça. Eu mesma sou um exemplo disso: sempre baixei música para consumo próprio sem pagar nada e só esse ano cogitei a pagar um streaming de música. Achei que seria uma forma mais cômoda de consumir música e de certa forma, esse formato pago encoraja os artistas a continuar sua jornada, mesmo que o streaming não dê o retorno que a venda de um CD. Sem contar que o preço praticado pelos principais players do setor (Rdio, Deezer e em breve o Spotify) é um valor justo que não vai pesar tanto no orçamento.

No caso do paywall, o custo pelo serviço não ajuda muito a vender o novo modelo de consumo de conteúdo: tanto n’O Globo quanto na Folha de S. Paulo, o preço mensal da assinatura gira em torno de 30 reais. Isso inviabiliza pra grande maioria assinar múltiplos jornais que sejam do agrado do leitor.

Como justificativa, os jornais se defendem e dizem que o paywall vai ajudar a manter o conteúdo e a excelência de sempre. Por que não cobrar um valor mais próximo do simbólico e ganhar em volume de assinaturas? A democratização da informação perde e muito com essa limitação.

Se eu não consigo ler uma matéria n’ O Globo, eu vou procurar outro jornal/portal para ler e me informar. Pelo menos por enquanto, creio que vai ser esse o caminho a ser seguido pela maioria.

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